De analista de cadastro a data steward em dois anos
O caminho mais curto para quem já vive o problema por dentro: método, vocabulário e prova de trabalho.

Quem trabalha em cadastro tem uma vantagem que raramente reconhece: já sabe onde o dado quebra. Essa é a parte difícil de ensinar. O que falta é método para transformar conhecimento tácito em trabalho reconhecido.
O que um data steward faz, na prática
Não é um cargo de digitação nem de tecnologia. O steward responde pela qualidade de um domínio: define o padrão, mede, aciona quem precisa corrigir e defende a regra quando ela é inconveniente.
Três verbos resumem: definir, medir, arbitrar. Se o seu dia só tem "executar", você ainda está no papel anterior — e o caminho é começar a fazer os outros três sem pedir licença.
Ano 1: método e vocabulário
Escolha um domínio que você já conhece. Escreva o padrão que hoje só existe na sua cabeça: o que é obrigatório, o que é proibido, como se escreve. Uma página basta.
Aprenda a medir. SQL suficiente para contar quantos registros violam o seu próprio padrão é menos do que se imagina — contagem, agrupamento, filtro, junção. Isso resolve a maior parte da conferência diária.
Aprenda o vocabulário. Falar "completude" e "unicidade" em vez de "cadastro furado" muda como a sua análise é recebida por quem aprova orçamento. Não é jargão vazio: é o que permite comparar duas bases e discutir meta.
Ano 2: prova de trabalho
Currículo com curso listado e sem resultado não sustenta transição. Prova de trabalho é: aqui estava o indicador, isto eu fiz, aqui está o indicador depois.
Não precisa ser grande. "A completude do domínio de materiais foi de 78% para 94% em quatro meses, com regra de cadastro e conferência semanal" é mais forte que qualquer certificado — porque mostra as três coisas que se procura: mediu, agiu, sustentou.
Registre em texto, com data e número. A memória some na troca de gestor.
O que trava a maioria
Esperar autorização. Ninguém vai chegar oferecendo o papel de steward; ele é ocupado por quem começa a exercê-lo. Definir o padrão do seu próprio domínio não depende de portaria.
Confundir ferramenta com competência. Saber operar uma plataforma de MDM é útil e substituível. Saber decidir o que é um dado aceitável, não.
Evitar o conflito. Boa parte do trabalho é dizer não para cadastro fora do padrão, às vezes para alguém acima na hierarquia. Quem não desenvolve isso continua executando.
Onde a certificação entra
Serve para dar nome e ordem ao que você já faz, e para ser reconhecido fora da empresa onde você é conhecido. Não substitui a prova de trabalho — e vale mais depois de existir uma, porque você passa a estudar com problema real na cabeça.
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